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Uma das particularidades das sociedades capitalistas contemporâneas reside no facto de os códigos não servirem para facilitar a comunicação entre indivíduos, nem para organizar o funcionamento da sociedade. Os códigos não refletem a estrutura social, nem constituem o aspeto visível das relações sociais. Pelo contrário, ocultam o Real. Escondem a realidade das relações sociais, dos usos dos objetos, dos desejos dos indivíduos e dos grupos sociais. O capitalismo funciona com os seus próprios códigos. Codifica todos os aspetos da realidade e, ao mesmo tempo, procede a uma destruição generalizada dos códigos da realidade. Os três textos reunidos neste livro assentam numa problemática que diz respeito, em primeiro lugar, à forma como o capitalismo utiliza os códigos herdados das sociedades tradicionais, bem como os códigos por ele próprio criados, e, em segundo lugar, aos limites da codificação do Real, que são essencialmente os limites do próprio capitalismo.