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Última obra de Freud publicada inicialmente na revista Imago na forma de ensaios, o livro "Moisés e o Monoteísmo" mostra uma faceta polêmica de Sigmund Freud (1856-1939) ao se aventurar em assuntos que, de uma maneira ou outra, interessavam ao seu olhar psicanalítico: a arqueologia, a historiografia, a teologia e o fenômeno da religião e das massas como um todo, que demarcam aquilo que é chamado usualmente de "Terceiro Freud", após o seu livro "Mal-Estar na Civilização".
Assim, o presente ensaio analisa o primeiro ensaio de "Moisés e o Monoteísmo" - intitulado "Moisés, um egípcio..." - para ver como o Pai da Psicanálise trabalha a questão da chamada "hipótese egípcia" da origem de Moisés, colocando-o - de acordo com a genealogia posta pela Torah onde coloca determinados povos como originários de um dos três filhos de Noé - enquanto um descendente de Cam, e não de Sem. Conforme o próprio Freud descreve, em seu ponto de vista, Moisés era "um egípcio que a necessidade de um povo transformou em judeu".
A ideia deste livro é um trabalho do texto pelo texto, ou seja, fazer uma leitura atenta do ensaio "Moisés, um egípcio" e entender o raciocínio que levou Freud a defender, a partir de um olhar historiográfico e arqueológico, somado às pesquisas de seu (ex-)pupilo Otto Rank sobre o "mito do nascimento do herói", a "hipótese egípcia" da origem de Moisés, preparando o terreno para o raciocínio que fará sobre o Monoteísmo nos demais ensaios de seu último livro.
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